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segunda-feira, 4 de abril de 2016
Todo dia é dia de agradecer mais a Deus e pedir muito menos! Mais uma vez quero agradecer a Deus por sua infinita misericórdia para comigo. Hoje, como de costume me levanto ainda de madrugada para ir até a cidade onde trabalho. Faço isso com satisfação, pois amo o que faço. Mesmo nem sempre concordando com as voltas que o mundo dá e uma dessas ter me levado para uma cidade bem distante da minha de origem! Bom, fui e trabalhei e ao voltar, fazendo o percurso por Goianinha para diminuir o espaço de tempo gasto com a viagem, já que estudo a tarde, na ida para Natal me deparo com dois caras armados e se preparando para assaltar o pessoal no ônibus. Momento de terror ver àqueles dois iniciando a abordagem aos passageiros no interior do veículo. De imediato, sem pestanejar e aproveitando o momento em que o ônibus parava para subir mais passageiros, não pensei duas vezes e desci ali mesmo, ao ermo! Alivio, nervosismo e uma mistura de pânico por está bem. E os outros? A viagem continuava e creio que eles não tiveram a mesma sorte que eu. Todos os dias passamos por essa angústia... Aí, chego em casa e me deparo com dezenas de mensagens sobre a morte/assassinato do colega de profissão - Professor Alcivan Medeiros da Silva, algo que tira o tapete de debaixo dos nossos pés. Me lembrei logo daquele livro: "mentes perigosas: o psicopata mora ao lado" de Ana Beatriz Barbosa Silva. "Frios, manipuladores, cruéis e destituídos de compaixão, culpa ou remorso. Utilizam-se de seu charme e de sua inteligência para impressionar, seduzir e enganar quem atravessa seu caminho. Estão camuflados de executivos bem-sucedidos, bons políticos, bons amigos, pais e mães de família, e não costumam levantar suspeitas sobre quem realmente são - inclusive alguns religiosos fundamentalistas! Estes são os psicopatas..." Pensei como tentamos ser vigilantes e tornamo-nos inocentes em achar que nunca algo de errado poderá acontecer conosco. Enganamo-nos! Lutero, questionou por vezes os posicionamentos em relação ao suicídio de religiosos, o modo como a Igreja católica Romana, tratava seus fiéis que cometessem tal ato e até mesmo o assassinato de inocentes em meio a uma densa floresta. Deus não estaria a contemplar a vítima diante do seu algoz? Onde estaria Deus? Taparia seus ouvidos para não ouvir os gritos de socorro? Não se desesperem caros leitores, esse Deus de quem vos escrevo nunca nos deixa sozinho! Ainda que horripilante seja a forma como nos sobrevém o mal, Ele - Deus, estará segurando a mão frágil de todo aquele/a que passa pelo vale da sombra da morte... Me solidarizo aos familiares e amigos do professor. Adormeço na esperança de que amanhã será um novo dia, bem melhor do que hoje. Grito e anuncio à todos quantos estarão lendo essas palavras: "não há Deus maior em poder e melhor amigo do que Jeová - O DEUS de Isaque, Jacó e Abraão! "
segunda-feira, 28 de março de 2016
Estudar política observando a estrutura social Kachin e Chans - Alta Birmânia, é romper com um contexto positivista estabelecido e enfrentarmos as contradições existentes em cada região sob investigação. Sob que circunstâncias podemos dizer de duas sociedades vizinhas A e B que essas duas sociedades têm estruturas sociais fundamentalmente distintas, enquanto entre duas outras sociedades C e D podemos afirmar que nessas duas sociedades a estrutura social é essencialmente a mesma? Enquanto de um lado, pesquisador e sempre usaram o conceito de estrutura social como uma categoria por meio da qual se pode comparar uma sociedade com outra, tratando-as como se elas existissem durante todo o tempo em equilíbrio estável, percebemos e descrevemos por outro lado que sociedades reais não podem jamais estar em equilíbrio. Precisamos observar as ideias sobre a distribuição de poder entre pessoas e grupos de pessoas na forma de fazer cultura, na situação demográfica, econômica, ecológica e de politica externa dessas sociedades reais no tempo (história) e no espaço (ambiente) em constante mudança. Reforço: Toda sociedade real, seja a Kachins ou Chans, Gumsa ou Gumlao, com sistema político democrático, anarquista ou monárquico passam por mudanças de cunho coerente com uma continuidade da ordem existente ou por vezes, refletem modificações na estrutura social formal. Precisamos de mudanças deste último tipo aqui no Brasil!
Penso que quando não me comprometo com meu grupo ou classe, e fico a espreitar a exposição cruel dos mais próximos a mim na guerra violenta por direitos, acabo por me transformar naquela rapariga que substitui a venda de pano pelos óculos escuros.
"A rapariga dos óculos escuros – “Mãezinha, paizinho…Não está ninguém, disse a rapariga dos óculos escuros, e desatou-se a chorar encostada à porta…, não tivéssemos nós aprendido o suficiente do complicado que é o espírito humano, e estranharíamos que queira tanto a seus pais, ao ponto destas demonstrações de dor, uma rapariga de costumes tão livres..." José Saramago - Ensaio sobre a cegueira.
Ao deitar e ainda estudando o livro de Clifford Greertz - O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa, recordo Machado de Assis ao afirmar que: A liberdade não é surda-muda nem paralítica. Ela vive, ela fala, ela bate as mãos, ela ri, ela assobia, ela clama, ela vive da vida. Boa noite!
Chegando agora em Natal depois de um fim de semana na casa dos meus pais. Hoje, reflito e aproveito cada momento com meus familiares, irmãos, primos, tios e principalmente com meus pais. Percebo como perdi tempo com tantas outras coisas na minha adolescência e dediquei tão pouco tempo a ouvi-los. É aí que paro e busco a cada folga, feriado ou ligações, sentir o gosto de saborear a presença deles comigo. Chega um tempo que não há mais tempo para estarmos longe uns dos outros, precisamos estar de mãos dadas, nesse jornadear finito pela terra!
"... Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?"
(Fragmento) Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa.
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